A carnificina dos trotes. Até quando?

Desrespeito aos direitos humanos nos trotes envergonha a Universidade de Coimbra.

Estudantes submetidos a jogos sádicos no bairro de Celas, em trote clandestino realizado em março de 2012, durante a proibição aos trotes. É para isto que os pais fazem sacrifícios para mandarem os filhos para a universidade? Para serem torturados?

REGINA BOSTULIM, de Portugal –

No dia 3 de setembro de 2012 começou o novo ano acadêmico 2012-2013 na Universidade de Coimbra. Durante o começo do mês ainda eram vistos pelo campus os pais ajudando os filhos com a matrícula e a encontrar um quarto. Mas tão logo os pais saem de cena, começam os trotes, chamados “praxes acadêmicas”, que em Coimbra são violentos e sádicos.

Trote escondido na mata do Jardim Botânico. A tranquilidade dos animais e dos turistas agredida por gritos e demonstrações de escárnio aos novos estudantes.

Na manhã de 17 de setembro de 2012 a tranquilidade era substituída pelos gritos e absurdas violações aos direitos humanos de praxes que ocorreram o dia todo. Este ano, a praxe ocorreu até no Jardim Botânico, com estudantes ensandecidos gritando, a perturbar a paz dos animais do local e de pacíficos turistas idosos. As outras  no campus, eram nos locais tradicionais: entre os edifícios das Químicas e das Físicas, defronte às Letras, na porta férrea, na estátua de D. Dinis, etc. Todas destacando-se pela gritaria, palavrões, pelo desrespeito aos calouros, e até aos que passavam pelo local. Na confusão, uma idosa alemã leva um soco na cara defronte à Porta Férrea, por uma veterana, que dirigia o soco a uma caloura.

Trote no campus da UC, entre os edifícios das Químicas e Físicas. No mesmo espaço, no dia anterior, na presença dos pais, os novos estudantes eram respeitados pelos veteranos. Um dia depois, ao invés de abraços, recebem humilhações.

Inconformada com tantos absurdos, falo com guardas, que não fazem nada, me dizem que na Universidade de Coimbra a praxe não é proibida. Na reitoria, me informam que a praxe tinha sido abolida pelo reitor anterior, mas restaurada pelo atual reitor. E que é proibida na Universidade do Porto, mas não em Coimbra. O dia de hoje foi um inferno. Até quem tentava refugiar-se nas bibliotecas era forçado a ouvir o som alto, o dia todo, muitas com letras maliciosas e de baixo calão.

Trote no campus da UC, diante da Faculdade de Letras. Os trotes nas Letras são famosos por serem humilhantes.

Violência, humilhação, insultos, abusos físicos
A praxe em Coimbra é violenta. Vi muitas sessões de tortura de calouros por veteranos defronte às Letras. Uma delas muito humilhante, em que um estudante obeso era forçado a lamber as botas de um veterano. E também vi as praxes ilegais. Com a proibição de praxes nos recintos acadêmicos, estudantes passaram a fazer praxes onde vivem, ocorrendo toda espécie de abusos.

Estudantes são algemados e têm de comportarem-se como presidiários, em trote clandestino.

Vi estudantes sendo algemados, revistados, sendo forçados a abaixar as calças e mostrar as partes pudendas aos carros, e muitas outras barbaridades, que não só envergonham a cidade de Coimbra, como a própria Universidade.

Estudantes veteranos conversam entre si, combinando novos jogos sádicos a que submeterão os calouros. Os jovens são coagidos a entrar num apartamento, onde os jogos de sadismo continuam até o amanhecer. Durante a noite, os calouros são forçados a embriagarem-se.

O trote, ou praxe acadêmica, é um crime e um desrespeito aos direitos humanos! Senhor reitor da Universidade de Coimbra, proíba tal prática! Tradição não justifica intolerância! Violência e abusos não combinam com educação! Jovens calouros merecem respeito e dignidade, e não agressões!

E-mail do reitor da Universidade de Coimbra, para pedir a proibição da praxe: gbreitor@uc.pt

Mais trotes no mesmo dia:

Nas Matemáticas o trote era igualmente agressivo.

Logo o curso de Direito, que devia primar pelo respeito à lei, possui trotes agressivos. Este ano, as calouras saíam da Porta Férrea já sendo humilhadas. Depois eram divididas em grupos. No Jardim Botânico tinham de sair correndo gritando obscenidades.

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Esta entrada foi publicada em 17/09/2012 às 11:30 e está arquivada sob Crime, Direitos humanos, Ensino, Jovens, Portugal, Universidade de Coimbra. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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