“Playlist” de livros que leio e releio, escritos por Nils Skåre

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texto: Regina Bostulim

 

nils4 Nils rindo à toa, como típico “gato de Cheshire”. Não é para menos. Jovem e em poucos anos escreveu e publicou mais de 60 títulos, entre traduções, ensaios, contos, artigos, etc. De sua despretenciosa e criativa editora L-Dopa estão a sair mais alguns títulos que pretendem mudar o mundo. Mas “na real” o gato ri pouco, muito pouco. Prefere rugir, como “leão da Metro” que é. Nada de ronronados. Nada gatinho.

      O americano-sueco-brasileiro Nils Skåre é um escritor dos mais prolíficos. Escreve e publica vários livros por ano, sendo traduções, ensaios, e, até mesmo, pura e simples literatura, escrita por ele mesmo. Em contos, se revela “cobra”, de muitas cabeças. Cria típica de anos em que é comum o patchwork, Nils, contudo é original até nisso. Sua literatura não é a usual colcha de retalhos do início do século 21. Trata-se de algo muito mais complexo. Este verdadeiro “fenomeno literário” tem lances em que se assemelha ao jovem Hemingway. De repente, surpreende e faz lembrar alguns de seus autores favoritos, e que traduziu, como Asimov, ou Phillip K. Dick. Lírico como Baudelaire. Conciso como o já mencionado Hemingway. E, de repente, surpreende, traduzindo com “espírito feminino”, uns textos da escritora sueca Selma Lagerlöf (1858-1940). Não, o Nils não traduz apenas escritores do século retrasado. Ele escreve como autores antigos, modernos e contemporâneos. E, ao mesmo tempo, criou um estilo próprio, em que não imita ninguém, nem a si mesmo. Mas lembra, num jeito de ver as coisas, num jeito de descrever um objeto, autores desconhecidos e conhecidíssimos, mas sempre nomes de quem quase não se ouve falar, exceto nuns círculos meio restritos. Nomes meio que desconhecidos do grande público. “Deleite para poucos”. Assim são os autores em que se espelha. E, bem Narciso,  se espelha a si mesmo. Eis alguns livros que estou lendo do escritor Nils Skåre. (E depois, não digam que não avisei, ele é brilhante).

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A Encruzilhada (O primeiro que li. O primeiro que adquiri. Obtido direto do autor, que autografava numa feira de livros).

          Capa que tem uma mensagem. Miolo que tem significado. Este é o incorrigível e exigente padrão do editor Nils Skåre. Quanto ao estilo, “A encruzilhada” tem ritmo cinematográfico. É um mergulho na música pop. Todas as artes na literatura. O escritor Nils Skåre escreve como quem dirige cinema, de repente o diretor grita “corta”. Como tradutor e editor “corta” ainda mais fino e rente. Precisão é uma das marcas deste artista multifacetado.

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O caleidoscópio de Calina (O segundo que li. Uma surpresa. O “estilo” parece meio ‘Caio Fernando Abreu’. Mas sem o sentimentalismo exacerbado do Caio! E aliás Caio é o nome do diretor comercial da L-Dopa… Coincidências não existem, creio eu).

          A trilha não é só tradução e edição. Como escritor, Nils Skåre emociona. Aliás, ele se posiciona primeiro como escritor, depois tradutor, editor, cientista, etc, nesta ordem. Mas, na verdade, parece que ele é, essencialmente, poeta. Um esteta da palavra. Cavaleiro errante, a lutar pelos indefesos. Mas antes de tudo um bardo. Ele tenta se manter/posar durão, mas é, no fundo, tremendo sentimental.

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Você não pode ser neutro…

          “Você não pode ser neutro num trem em movimento”, de Howard Zinn. Uma predileção literária marcou a estréia de Nils Skåre como editor e tradutor de vanguarda. A partir dali o mundo editorial nunca mais foi o mesmo.

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Winesburg…

          “Winesburg, Ohio”, de Sherwood Anderson: literatura no combate à depressão. Nils gravou um podcast sobre como combater tristeza e estados depressivos com literatura, mais precisamente com a leitura da obra deste escritor.

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Três ensaios psicanalíticos

          Escritor, tradutor, editor. E também cientista. Nas melhores revistas científicas destacam-se brilhantes artigos científicos do cientista Nils Skåre, que por vezes acabam por “renovar o ar” da ciência.

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Vivendo minha vida

          A autobiografia de Emma Goldman fez tanto sucesso, que esgotou-se rapidamente das prateleiras das livrarias reais e virtuais. O público veio pedir uma solução. De pronto, Nils Skåre disponibilizou no site da editora, de forma absolutamente gratuita, o livro.

A antibruma

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(carta a Nils Skare)

Sr. Skare,

           Estou a ler seu Ohio. Li a primeira parte de sua “Bruma”. Como tudo o que o senhor escreve, transporta-me a regiões geladas do inferno e faz-me levitar até o paraíso.

          Faço a leitura aos poucos, o que escreve queima, deixa-me sem ar. Fico a tentar sorver o ar, tamanha precisão do monólogo sobre o mar, que, depois, se esvai languidamente, e se iniciam considerações sobre o relógio parado duma família! Ali parei, completamente sem ar, aturdida, estupefacta.

            P.S.: Por favor, perdoe-me isto, e todos os meus atos de admiração por sua obra.

            O respeito como ser humano. Pela primeira vez na vida sinto que respeito alguém.

          Mas suas palavras como escritor provocam em mim o que sinto ao ler a obra de Tchecov, que é deslumbre.

          Deus o abençoe, em sua obra encontro motivação de ser como o senhor é com as palavras.

(resposta de Nils Skare)

Olá Regina,

          “Mais uma vez, muito obrigado pelos elogios. A “Antibruma” foi minha primeira ‘obra’ como escritor de fato, então gosto dela por esse motivo, embora ainda a sinta um pouco um livro de juventude. O “Winesburg, Ohio” foi uma tradução “média” (nem muito fácil, nem muito difícil); o Anderson não é muito conhecido no Brasil, mas acho que merece, pois consegue bastante efeito com poucos recursos. Em seus melhores instantes, o Anderson sabe ser econômico – não admira que tenha influenciado Hemingway”.

créditos/fotos
Foto de Nils diante dum grafite: Regina Bostulim.
Fotos das capas dos livros: divulgação L-Dopa.

LINKS:

L-Dopa (Site da editora).

Sobre Nils Skåre.

Podcast com Nils Skåre.

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Esta entrada foi publicada em 27/12/2018 às 4:52 e está arquivada sob Artes, Artistas, Contos, Escritores, Estados Unidos, Tradução. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

Uma opinião sobre ““Playlist” de livros que leio e releio, escritos por Nils Skåre

  1. Grata Nils, L-Dopa.

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